ESTUDO – Cap. 2: CONTAS NACIONAIS – PRODUTO, DESPESA E RENDA NACIONAL EM UMA ECONOMIA ABERTA (nº 2)

2.9
IDENTIDADES MACROECONÔMICAS EM UMA ECONOMIA ABERTA
Como vimos, numa ECONOMIA ABERTA – economia que mantém transações com o exterior – as contas externas são determinadas ao mesmo tempo que todas as demais variáveis do equilíbrio macroeconômico, uma vez que o Produto Nacional é o resultado da soma dos gastos em consumo, em investimentos privados, gastos governamentais e do saldo em conta corrente do Balanço de Pagamentos Internacionais.
Ademais, nessa economia complexa, é mantida a identidade entre o Produto Nacional Bruto, a Despesa Nacional Bruta e a Renda Nacional Bruta:
PNB = DNB = RNB = Y
2.9.1
PRODUTO NACIONAL BRUTO (PNB)
ÓTICA DA DESPESA
O Produto Nacional, isto é, a OFERTA DOMÉSTICA de bens e serviços, medido pela ótica da despesa, é representado pela seguinte identidade de EQUILÍBRIO MACROECONÔMICO:
Y (Oferta Agregada Doméstica) = C + I + G + (X – M) (Demanda Agregada Doméstica)
Onde:
C + I + G = absorção interna ou DESPESA DOMÉSTICA com bens e serviços.
X – M = DESPESA EXTERNA com bens, serviços, rendas e transferências unilaterais correntes. É o Saldo em Conta Corrente (SCC).
O EQUILÍBRIO MACROECONÔMICO entre a OFERTA AGREGADA GLOBAL e a DEMANDA AGREGADA GLOBAL de bens e serviços é representado pela igualdade:
Y + M (Oferta agregada Global) = C + I + G + X (Demanda agregada Global)
Onde:
C, I, G, e X incluem, também, produtos importados.


2.9.2
PRODUTO NACIONAL BRUTO (PNB)
ÓTICA DA UTILIZAÇÃO DA RENDA
O Produto Nacional Bruto medido através da ótica da utilização da renda significa a forma pela qual os agentes econômicos UTILIZAM A RENDA: consumindo bens e serviços (nacionais e importados), poupando e pagando tributos. Portanto:
PNB = RNB = Y = C + S + T
Onde:
C = consumo de bens e serviços (nacionais e importados)
S = poupança
T = tributação
2.9.3
PRODUTO NACIONAL BRUTO (PNB)
ÓTICAS DA DESPESA E DA UTILIZAÇÃO DA RENDA
Igualando as identidades de 2.9.1 e 2.9.2, temos:

DNB = RNB
C + I + G + X – M = C + S + T
 
O Equilíbrio Macroeconômico existirá sempre que:
(X – M) = (S – I) + (T – G)

O Equilíbrio Macroeconômico admite três hipóteses:

1ª) Se: X – M  = 0, então: (S – I) = 0 e (T – G) = 0 ou a soma algébrica   de ambos = 0
     Donde: (I + G) = (S + T)

2ª) Se: X – M < 0, então: (S – I) < 0 e (T – G) < 0 ou a soma algébrica de ambos < 0
Donde: Há excesso de gastos domésticos, isto é: (I + G) > (S + T)

3ª) Se: X – M  > 0, então: (S – I) > 0 e (T – G) > 0 ou a soma algébrica de ambos > 0
     Donde: Há excesso de poupança doméstica, isto é: (I + G) < (S + T)


Na primeira hipótese, o equilíbrio macroeconômico é encontrado quando X – M  = 0, isto é, quando I + G = S + T.
A segunda hipótese, quando o Saldo em Conta Corrente é deficitário (X – M < 0), implica que o país precisará ser financiado pelo exterior. A poupança interna é insuficiente para financiar o investimento doméstico (I > S) ou as receitas com tributos são insuficientes para arcar com os gastos governamentais (G > T) ou, ainda, quando ambas as situações ocorrem.
Observe-se a possibilidade de o déficit em Conta Corrente (X – M < 0) não ser resultado de desejáveis importações de bens de capital visando a ampliação da produção nacional de bens de consumo. O déficit seria função de significativas importações de bens supérfluos ou, ainda, em conseqüência de investimentos externos estrangeiros que visem a oferta, no país hospedeiro, de serviços ou de mercadorias não transacionáveis internacionalmente. Em ambos os casos, o Saldo em Conta Corrente será afetado negativamente, seja por importações de mercadorias desnecessárias ou por remessas de rendas ao exterior, derivadas daqueles investimentos estrangeiros, sob a forma de lucros e dividendos.
Para cobertura do déficit em Conta Corrente, o país, se não dispuser de suficiente estoque de reservas em moeda estrangeira, se verá na contingência de recorrer à poupança externa, através da captação de recursos no mercado internacional de capitais, sob a forma de empréstimos em moeda ou de financiamentos, operações que geram endividamento externo e determinam futuras remessas de rendas ao exterior, sob a forma de juros.
Na terceira hipótese, quando há superávit em Conta Corrente (X – M > 0), o país está financiando o exterior, uma vez que há excesso de poupança doméstica relativamente aos investimentos (S > I) ou superávit fiscal (T > G) ou ambos os casos.
O superávit em Conta Corrente será nivelado através da sua incorporação ao estoque de reservas internacionais do país ou através da oferta desses recursos excedentes no mercado internacional de capitais, sob a forma de empréstimos em moeda ou de financiamentos. Na ausência desses procedimentos, o mais provável é o excesso de oferta de moeda estrangeira ocasionar uma valorização cambial da moeda nacional (diminuição da taxa de câmbio do Real em relação ao Dólar norte-americano), fato que determinará uma perda de competitividade das exportações – que se tornam mais caras – e aumento das importações – que se tornam mais baratas, com a conseqüente eliminação do superávit em Conta Corrente.

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